sábado, 29 de maio de 2010

O mundo visto pelos olhos de um louco

-Bom dia, boa noite ou boa tarde.- Ele se apresenta meio sem jeito e muito confuso em relação à hora do dia. – Não tenho nome, mas me chamam de João. Minha casa é a rua, não tenho endereço fixo, vivo da esperança e da fé. Sujo, ao meio das calçadas da cidade grande, luto para matar a fome diária. Com os pés descalços e mãos sujas, percorro arrastando uma sacola de plástico repleta de papelão e outros metais. Quando não aguento mais meus pés, já doentes, deito-me debaixo de uma marquise qualquer, até que algum desses senhores de “coleira apertada” e de bico fino me interrogam: - você não pode ficar aqui senhor, vá procurar outra praça para se sentar. – essa rotina já não me deixa abalar. – e La se vai o velho carregando sua sacola zurzida ao meio da multidão de pés empinados e cabelos cheirando a doces margaridas. – sorte grande! É quando acho um abrigo para me alimentar, ou uma lata de lixo repleta de sobras desses restaurantes de tapete vermelho e porta de ouro. – A noite chega silenciosamente e fria, suas mãos tremem sem interromper e a fome toma seu lugar deixando a situação cada vez mais complicada. E La esta ele de volta a marquise onde os homens já não ousam lhe perturbar. – e pouco a pouco a cidade vai adormecendo. – me abrigo do frio atrás de prédios velhos ou saio apanhando jornais que não tem mais interesse para os homens que moram no topo de um sobrado.
Penso que quem deve ser feliz sou eu, por quê? Ao longo do dia observo faces de estresse e pura tensão. Com o capital a acumular, a ganância predomina sobre o pescoço afivelado. Cada vez mais rico e deprimido, solitário e desamparado.

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